segunda-feira, 2 de junho de 2008

Apolo Heringer e a integração do homem ao meio ambiente pela revolução pessoal

Apolo Heringer Lisboa, médico, escritor, ambientalista, ex integrante de facções armadas, idealizador do projeto Manuelzão, que busca não só preservar a bacia do Rio das Velhas, na região metropolitana de BH, como conscientizar a população sobre todos os aspectos da vida humana em respeito ao meio ambiente, passou por muitas transformações para chegar ao discurso apresentado na manhã de sexta feira, 30, no auditório da faculdade Estácio de Sá em Belo Horizonte.

Relatando sua experiência no movimento estudantil, do qual foi um dos líderes quando maio de 1968 explodia em fervor por todos os poros da sociedade, suas inúmeras viagens ao redor do globo, a atuação médica no deserto da Argélia e a defesa de uma revolução pelas armas, Apolo chega aos 60, segundo o próprio, ainda crendo nos mesmos ideais pelos quais lutou a vida toda, mas de uma forma diferente.

Falando contra o nacionalismo cego e doentio, contra uma visão limitada e egoísta da vida e abraçando o universal em seu sentido ipsis litteris, chegando a propor uma bandeira única para o mundo, sob a imagem da Terra, para evitar disputas infrutíferas e dar a noção de unidade entre o homem e o meio ambiente, entre os diferentes povos e nações.
Para Apolo, enxergar a vida não sob uma visão “humanista”, que é perigosa e nociva (segundo ele), por colocar o homem no centro de tudo, mas sim “bio-centrista”, para respeitar o universo em sua amplitude.

Perguntado sobre as diferenças entre os jovens de diferentes países e entre o engajamento do passado e de hoje, Heringer foi categórico em afirmar que não é o jovem que se faz por si só, mas prefere enxergar que a situação, ela sim, que dá a base para as manifestações. Para ele, os jovens são mais ou menos iguais em todo lugar, e não há diferença básica que os separe. O estado de “hibernação” aparente que o movimento estudantil exala no nosso país, por exemplo, seria apenas um momento passageiro, não permanente.

A educação, como sempre, foi exaltada por Apolo como a única saída: seja da conscientização política, ambiental ou sexual. O cerne, portanto, de tudo que nos rodeia.

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